Estudo aponta caminhos para fortalecer a cadeia produtiva do PVC no Brasil

O “Panorama do Complexo Químico Brasileiro e Agenda Estratégica”, lançado pelo Instituto Nacional do Desenvolvimento da Química (IDQ), mostra que o segmento de resinas mantém participação relevante no complexo químico brasileiro, enquanto agenda estratégica propõe medidas que podem ampliar a competitividade da produção nacional, reduzir gargalos e estimular novos investimentos

A cadeia produtiva do PVC está inserida em um dos setores mais estratégicos da indústria nacional e pode ser diretamente beneficiada por medidas voltadas à recuperação da competitividade da indústria química brasileira. É o que indica o estudo “Panorama do Complexo Químico Brasileiro e Agenda Estratégica”, lançado recentemente pelo Instituto Nacional do Desenvolvimento da Química (IDQ), entidade da qual o Instituto Brasileiro do PVC (IBPVC). entidade representante legítima dos assuntos referentes ao PVC, é associado.

Elaborado pela LCA Consultoria Econômica, com apoio da Macrotempo, o levantamento apresenta um diagnóstico dos principais gargalos e oportunidades do complexo químico brasileiro e propõe uma agenda para ampliar sua capacidade produtiva, os investimentos, a inovação, a sustentabilidade e a competitividade. O setor é o terceiro maior do PIB industrial e gera cerca de 2 milhões de empregos diretos, indiretos e por efeito renda.

A análise ganha relevância para a cadeia do PVC porque um dos nove segmentos considerados pelo estudo é o de resinas e elastômeros, no qual estão inseridas as resinas termoplásticas. Entre elas está a resina de PVC, matéria-prima que, depois de formulada e transformada, dá origem a produtos utilizados na construção civil, no saneamento, na infraestrutura, na saúde e em diversos outros setores da economia.

A cadeia produtiva do PVC, no entanto, vai muito além da fabricação da resina. Ela também envolve empresas produtoras de aditivos e especialidades químicas, fabricantes de compostos e transformadores responsáveis por converter esses materiais em produtos finais. A proximidade entre esses diferentes elos contribui para a agregação de valor e para a eficiência da cadeia, cujos efeitos se estendem a mercados como habitação, saneamento, infraestrutura e saúde.

Resinas mantêm participação relevante

Um dos indicadores analisados pelo estudo é a evolução da receita líquida de vendas do complexo químico. Em valores corrigidos pela inflação, o faturamento total passou de cerca de R$ 302 bilhões em 2005 para R$ 489 bilhões em 2023.

Nesse período, a participação das resinas na receita total diminuiu, passando de 20% em 2005 para 14% em 2023. Em valores absolutos, porém, a trajetória revela um cenário diferente. Com base nas participações apresentadas pelo levantamento, a receita do segmento correspondia a aproximadamente R$ 60,4 bilhões em 2005. Em 2010, chegou a R$ 52,2 bilhões e, posteriormente, voltou a avançar, alcançando cerca de R$ 54,4 bilhões em 2015, R$ 65 bilhões em 2020 e R$ 68,5 bilhões em 2023. Isso representa um crescimento real estimado de aproximadamente 13,3% entre 2005 e 2023.

O segmento também permaneceu acima da participação média dos demais segmentos do complexo químico. Em 2005, as resinas representavam 20% da receita total, enquanto a média dos outros oito segmentos era de aproximadamente 10% cada. Em 2023, mesmo com a redução de sua participação para 14%, o percentual ainda superava a média dos demais, próxima de 11%.

Os números mostram, portanto, que a perda de participação relativa das resinas ocorreu em um período no qual outros segmentos avançaram mais rapidamente e não significou uma redução da receita real entre o início e o final da série analisada.

Avanço das importações desafia a indústria nacional

A evolução da receita, entretanto, precisa ser observada em conjunto com um dos principais alertas trazidos pelo estudo: a perda de espaço da produção química nacional no próprio mercado brasileiro. Segundo o levantamento, o setor como um todo acumula déficit comercial superior a US$ 40 bilhões anuais.

Ao mesmo tempo, o estudo aponta oportunidades para reverter esse cenário. As simulações apresentadas indicam que a recuperação da participação da produção brasileira no atendimento à demanda doméstica poderia adicionar R$ 161 bilhões ao PIB até 2036, caso o país adote uma agenda estratégica. A perspectiva ganha ainda mais relevância considerando que o complexo químico fornece insumos para quatro das seis missões da Nova Indústria Brasil (NIB): cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais; complexo econômico-industrial da saúde; infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade; e bioeconomia, descarbonização e transição energética.

Assim como o complexo químico como um todo, o segmento de resinas possui aplicações relacionadas a essas quatro frentes e a cadeia do PVC ganha especial relevância em infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade, devido à presença do material em aplicações como tubos e conexões, sistemas de água e esgoto, perfis, revestimentos, fios e cabos e diferentes soluções para a construção e a infraestrutura. O segmento também alcança o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, no qual o PVC é utilizado em diferentes dispositivos médico-hospitalares.

Agenda pode ampliar competitividade da cadeia do PVC

A partir do diagnóstico, o estudo propõe uma Agenda Estratégica para o fortalecimento do complexo químico brasileiro. Entre as principais medidas estão o aumento da oferta e da destinação de gás natural para uso petroquímico; o fortalecimento do suprimento doméstico de nafta; a expansão da produção de fertilizantes e Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs); a melhoria e harmonização do ambiente regulatório; o combate à ilegalidade; a redução dos custos de energia e logística; a isonomia tributária; e o fortalecimento da governança institucional.

Algumas dessas propostas apresentam relação particularmente próxima com a cadeia produtiva do PVC. O aumento da disponibilidade de gás natural para uso petroquímico pode contribuir tanto para o suprimento de matérias-primas da petroquímica quanto para sua matriz energética. O fortalecimento do suprimento doméstico de nafta também é relevante, já que essa matéria-prima está na base da produção petroquímica de insumos como o eteno, utilizado na cadeia de fabricação do PVC.

Outras medidas têm caráter mais transversal, mas podem igualmente contribuir para a competitividade da produção nacional. A redução dos custos de energia e logística pode diminuir os custos industriais; a isonomia tributária pode favorecer condições mais equilibradas de competição entre a produção brasileira e os produtos importados; e a melhoria e harmonização do ambiente regulatório tendem a ampliar a previsibilidade necessária para investimentos de longo prazo.

Coordenação para transformar diagnóstico em ações

A agenda apresentada pelo IDQ também propõe a criação do Grupo Executivo para o Desenvolvimento do Complexo Químico (GECQ), vinculado à Casa Civil da Presidência da República e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), além da estruturação de comissões temáticas permanentes com a participação do Congresso Nacional, do governo, do setor produtivo, de entidades representativas e da sociedade.

A proposta é transformar o diagnóstico em iniciativas voltadas ao fortalecimento da indústria química e ao desenvolvimento econômico, tecnológico e social do país.

Para a cadeia produtiva do PVC, os dados reforçam uma combinação de relevância econômica e oportunidade de crescimento. O segmento de resinas continua representando uma parcela expressiva da receita do complexo químico e atende mercados estratégicos para o desenvolvimento nacional. Ao mesmo tempo, a perda de participação da produção brasileira no mercado doméstico evidencia a importância de medidas capazes de criar condições mais competitivas para produzir, investir e inovar no país.

Sobre o Instituto Brasileiro do PVC: O Instituto Brasileiro do PVC é uma associação de classe que existe para representar, defender e difundir os interesses da cadeia produtiva do PVC para o mercado, poder público, academia, entidades nacionais e internacionais, além da sociedade de forma geral, mantendo a individualidade de cada associado e apoiando a integração e o desenvolvimento dessa indústria, fundamentado na postura ética e no respeito ao bem-estar social e ao meio ambiente. Tem como visão consolidar-se como referência legítima e proativa sobre os assuntos relacionados ao PVC, com foco em sua versatilidade, sustentabilidade, eficiência, inovação e qualidade das diversas aplicações. Para mais informações: www.pvc.org.br

Informações à imprensa – Roberta Provatti
(11) 99652-4661
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