O desafio invisível do desperdício no Brasil

*Por Claudia Takahashi Tsukamoto

O dia 22 de março, conhecido mundialmente como o Dia da Água, foi um convite à reflexão sobre um recurso essencial à vida que ainda está longe de ser tratado com o cuidado necessário. Mais do que discutir a escassez, a data também expõe um problema menos visível, porém igualmente crítico: o desperdício dentro dos próprios sistemas de abastecimento.

No Brasil, perdas expressivas ocorrem diariamente ao longo das redes de distribuição, resultado principalmente de vazamentos e falhas estruturais. Dados do Estudo de Perdas de Água 2025 (Instituto Trata Brasil e GO Associados), mostram que o Brasil desperdiça diariamente, por vazamentos, um volume equivalente a 6.346 piscinas olímpicas de água tratada antes de chegar às torneiras. As perdas totais representam 40,31% da água produzida. Apenas as perdas por vazamentos somaram mais de 3 bilhões de m³, quantidade capaz de abastecer cerca de 50 milhões de brasileiros por um ano, ou toda a população da Espanha.

O impacto desse cenário vai além da questão ambiental. São custos adicionais com produtos químicos, energia, manutenção e infraestrutura, além da necessidade de captar água em mananciais já pressionados pelas mudanças climáticas. Em um país que enfrenta secas prolongadas, calor extremo e alterações no regime de chuvas, essa realidade tende a se agravar.

Essa realidade contrasta com outra urgência nacional: 34 milhões de brasileiros ainda não têm acesso regular à água potável. Diante desse paradoxo, o fortalecimento do saneamento básico se torna indispensável. Modernizar as redes de distribuição e investir em soluções mais eficientes são passos fundamentais para reduzir perdas e ampliar o acesso. Nesse processo, a escolha dos materiais utilizados nas tubulações desempenha um papel estratégico.

Entre as alternativas disponíveis, o PVC tem se destacado globalmente como uma opção confiável e eficiente. Utilizado há décadas em projetos de infraestrutura, o material reúne características que favorecem sua aplicação em larga escala: é leve, resistente, de fácil instalação e contribui para sistemas mais estanques, reduzindo significativamente o risco de vazamentos.

Outro aspecto relevante é a sua segurança sanitária. Tubulações produzidas com PVC não alteram a qualidade da água e oferecem resistência à ação de agentes externos, além de apresentarem baixa propensão à formação de biofilmes. Essas propriedades garantem não apenas eficiência operacional, mas também a preservação da potabilidade da água ao longo de toda a rede.

Estudos internacionais reforçam essa tendência. Monitoramentos realizados ao longo dos últimos anos indicam que materiais mais antigos apresentam maior incidência de falhas, enquanto o PVC se destaca pela durabilidade e menor taxa de rompimentos. Esse desempenho tem levado à sua crescente adoção em sistemas de abastecimento ao redor do mundo.

No Brasil, embora ainda existam desafios estruturais importantes, o uso desse tipo de tecnologia já é realidade em diversos projetos, contribuindo para redes mais seguras e eficientes.

Municípios em todo o país vêm renovando seus sistemas de saneamento, substituindo tubulações antigas por PVC para reduzir perdas e interrupções no abastecimento. Da infraestrutura urbana à preservação ambiental, o PVC está presente onde a água precisa chegar com eficiência, segurança e responsabilidade.

Neste Dia da Água, a reflexão vai além do consumo consciente dentro de casa. Ela passa também pela necessidade de olhar para a infraestrutura que sustenta o abastecimento. E a cadeia produtiva do PVC contribui para o desenvolvimento da sociedade e para um futuro com mais acesso, menos desperdício e mais cuidado com os recursos naturais.

*Claudia Takahashi Tsukamoto é Diretora Executiva do Instituto Brasileiro do PVC

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