Do desperdício à eficiência: PVC e o futuro do saneamento

*Por Claudia Takahashi Tsukamoto

Em novembro, a ONU celebrou o Dia Mundial do Banheiro, uma data dedicada a dar visibilidade à falta de banheiros adequados para bilhões de pessoas e promover ações para garantir acesso universal à água potável e ao saneamento.

Nesse cenário, o Estudo de Perdas de Água 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil (ITB) em parceria com a GO Associados, trouxe dados preocupantes. Com base no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, ano-base 2023), o levantamento aponta que o Brasil desperdiça diariamente, por vazamentos, um volume equivalente a 6.346 piscinas olímpicas de água tratada antes de chegar às torneiras.

As perdas totais representam 40,31% da água produzida, índice bem acima da meta de 25% estabelecida pela Portaria nº 490/2021 do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Em 2023, o volume não faturado chegou a 5,8 bilhões de m³, o que equivale ao conteúdo de mais de 21 milhões de caixas d’água domésticas — cada uma suficiente para atender uma família de cinco pessoas por um dia. Apenas as perdas por vazamentos somaram mais de 3 bilhões de m³, quantidade capaz de abastecer cerca de 50 milhões de brasileiros por um ano, ou toda a população da Espanha.

Esse desperdício gera impactos econômicos e ambientais significativos. O estudo destaca custos adicionais com produtos químicos, energia, manutenção e infraestrutura, além da necessidade de captar água em mananciais já pressionados pelas mudanças climáticas. Em um país que enfrenta secas prolongadas, calor extremo e alterações no regime de chuvas, essa realidade tende a se agravar. Vale lembrar que 34 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água tratada.

Para enfrentar esse desafio, é essencial ampliar o acesso ao saneamento básico e tornar os sistemas de distribuição mais eficientes, conforme previsto no Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020). Nesse contexto, as tubulações de PVC se consolidam como solução mundialmente reconhecida para reduzir perdas e garantir redes seguras e duráveis.

Desde a década de 1930, o PVC vem sendo aplicado em infraestrutura, graças a vantagens como leveza, facilidade de manuseio mesmo em grandes diâmetros, sistemas de conexão com anel integrado que asseguram estanqueidade, instalação simplificada sem processos caros como soldagem ou eletrofusão, e manutenção que dispensa drenagem total da rede.

Além disso, os tubos de PVC são inertes, não transferem substâncias que comprometam a qualidade da água e apresentam baixa permeabilidade a agentes nocivos, conforme estudos internacionais. A norma ABNT NBR 8219 estabelece requisitos rigorosos para tubos e conexões de PVC-O, PVC-U, PVC-M e CPVC, alinhados a padrões internacionais como NSF/ANSI 61, mais restritivos que a Portaria 888 do Ministério da Saúde. O material também oferece baixa formação de biofilme e alta resistência a desinfetantes.

Pesquisas globais reforçam essa confiabilidade. A Universidade Estadual de Utah, nos EUA, monitora desde 2012 as taxas de rompimento de tubulações de água na América do Norte. A edição mais recente, de 2023, mostra que materiais antigos, como ferro fundido e cimento amianto, apresentam índices de falha muito superiores aos do PVC. Entre 2018 e 2023, o uso desses materiais caiu de 41% para 33%, enquanto o PVC cresceu 7%. Nesse período, as taxas gerais de rompimento diminuíram 20%, com o PVC registrando a menor incidência. Pela primeira vez, o estudo indica que o PVC é o material predominante em boa parte das redes nos EUA.

Embora não existam levantamentos semelhantes no Brasil, é fato que o PVC é amplamente utilizado em projetos de saneamento e infraestrutura há décadas, garantindo durabilidade e desempenho por muitos anos.

*Claudia Takahashi Tsukamoto é Diretora Executiva do Instituto Brasileiro do PVC

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