Instituto Brasileiro do PVC

Opinião

Os desafios impulsionam as oportunidades - Março 2021

Por Alexandre de Castro


2020 entrou para a história como um ano de aprendizados. A pandemia nos isolou e nos desafiou, exigindo adaptações imediatas, um alto nível de agilidade na tomada de decisão e ajustes de processos. 





Passamos a reparar mais nas questões sanitárias. Aprendemos a lavar corretamente as mãos - quem diria?! - e nos lembramos da importância do abastecimento de água potável, da infraestrutura para o esgotamento sanitário, do manejo e drenagem das águas pluviais urbanas. 

 

Em meio à pandemia, o Governo Federal alterou o Marco Legal do Saneamento Básico, um importante avanço para um País em que há mais de uma década não apresenta mudanças nos dados referentes a esse setor. Há 10 anos, cerca de 35 milhões de brasileiros não contavam com água encanada em casa (cerca de 18% da população). Hoje, são cerca de 16%. Sem contar que somente pouco mais da metade da população tem serviço de coleta de esgoto. 


O Marco Legal do Saneamento Básico tem o objetivo de acelerar o acesso ao saneamento básico no Brasil até 2033, viabilizando a injeção de mais investimentos privados nos serviços de água e esgoto, abrindo oportunidades para a cadeia produtiva do PVC, amplamente usado nessas aplicações com uma série de vantagens sobre sucedâneos. 


Durante a pandemia, quem ficou em casa certamente fez alguma obra de reparo ou de melhoria, movimentando o setor da construção em 2020. A Sondagem da Indústria da Construção, baseada nos indicadores econômicos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou que, apesar das previsões adversas no início de 2020, o setor passou por um período de recessão, mas conseguiu se recuperar ao longo do ano, promovendo otimismo para 2021. Mais uma vez, a cadeia produtiva do PVC pode encarar uma oportunidade de crescimento, já que cerca de 70% de sua produção é destinada a aplicações para a arquitetura e a construção.

 

A área médica, tão evidenciada e tão importante no ano que passou, buscou inovações, adaptou materiais e se reinventou para atuar bravamente e com a maior segurança possível contra o vírus. O PVC, que é um dos polímeros mais utilizado na área médica, esteve presente também nessas soluções.

 

Os desafios da pandemia trouxeram oportunidades para as inovações. Conhecemos túneis de desinfecção que foram desenvolvidos no SENAI e instalados em hospitais da Bahia, com tubulação, forros e até sistemas construtivos de PVC, além das bombas de alta pressão e bicos aspersores para a nebulização de solução para descontaminação. Assim como conhecemos equipamentos complementares, criados pelo Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Triangulo Mineiro (UFTM), em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a partir de filamento de impressão 3D, elástico e chapas transparentes de PVC, designados aos profissionais da saúde. Isso sem falar no filme de PVC, amplamente usado como embalagem de alimentos, que serviu de proteção aos celulares e às máquinas de crédito/débito, para não haver contaminação nos vãos do teclado e para que a higienização fosse facilitada. 


2020 foi, sem dúvida, um ano muito difícil e, mesmo assim, a cadeia produtiva do PVC esteve presente em diversos momentos, levando à sociedade inovações e soluções eficientes em áreas importantes. O Instituto Brasileiro do PVC também se manteve ativo em 2020 e inicia o novo ano com novidades. A entidade, que sempre promoveu as características e os benefícios que o PVC proporciona em aplicações diversas de importantes segmentos da economia (agronegócio, construção, infraestrutura, automotivo, eletroeletrônico, médico-hospitalar, entre outros), também está se reestruturando para efetivamente consolidar-se como referência legítima e proativa sobre os assuntos relacionados ao PVC e à cadeia produtiva.


Assumo o Instituto Brasileiro do PVC com o objetivo de ampliar cada vez mais as ações nos cinco pilares em que atuamos: na promoção das qualidades, benefícios do PVC e suas aplicações, além da disseminação de conhecimento técnico-científico; na defesa da imagem do PVC e suas aplicações em diversos fóruns; nas relações governamentais e institucionais; no fomento à inovação e apoio ao desenvolvimento do mercado de PVC e na reunião e realização de estudos técnicos e pesquisas.


Nossos esforços estão concentrados em representar, defender e difundir os interesses da cadeia produtiva do PVC para o mercado, poder público, academia, entidades nacionais e internacionais, além da sociedade de forma geral, mantendo a individualidade de cada associado e apoiando a integração e o desenvolvimento dessa indústria, com base na postura ética e no respeito ao bem-estar social e ao meio ambiente.


Para tanto, buscamos estreitar as relações com as entidades ligadas ao PVC pelo mundo, com o objetivo de nos mantermos atualizados com as tendências do mercado global. Adicionalmente, também estamos nos aproximando ainda mais de nossos associados, contando com seu engajamento e com seu olhar apurado para as oportunidades, de modo que possamos promover o crescimento e o desenvolvimento da cadeia produtiva como um todo. 


Acreditamos que temos total condição de aumentar o consumo per capta do PVC da América do Sul – e especificamente no Brasil – que ainda é inferior ao de outras regiões do mundo, como Estados Unidos e Europa. Buscaremos esse crescimento não apenas em aplicações básicas, como é o caso do saneamento, mas também com forte incentivo à inovação.


É possível pensar em crescimento em 2021, apesar de sabermos que será um ano desafiador e o Instituto Brasileiro do PVC está trabalhando para se tornar um propulsor e facilitador desse crescimento para a cadeia produtiva do PVC.



Alexandre de Castro é presidente do Instituto Brasileiro do PVC. Administrador de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), além de já ter integrado o Programa de Formação para Líderes Globais, da Fundação Dom Cabral (FDC). Na Unipar desde abril de 2020, lidera o time comercial, assistência técnica e desenvolvimento de mercado da divisão PVC nas operações do Brasil e da Argentina. Egresso da Braskem, onde ficou por quase 16 anos, também passou pela Dow Chemical e Horton International.


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