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Opinião

O futuro da água

As crises no abastecimento de água no Brasil vêm se sucedendo em velocidade e gravidade crescentes. No Nordeste, severas estiagens marcaram de forma dramática os anos de 1980, 2009 e 2017, e, no Sudeste, os anos de 1964, 2003 e 2015. Essa escalada vai ao encontro das estatísticas divulgadas pela empresa alemã Munich Re, uma das maiores companhias de resseguro do mundo, segundo as quais a frequência dos eventos climáticos extremos no planeta com perdas econômicas cresceu cerca de 3,0 vezes desde 1990 e, segundo a Fórum Econômico Mundial, já causam um prejuízo anual de US$ 1,3 trilhão para a economia mundial.



Embora consuma cerca de 20% da água utilizada no mundo, o setor industrial tem convicção de que a principal ameaça dessa progressão alarmante recai sobre sua atuação. Até porque o acesso à água é considerado um direito humano fundamental pela Organização das Nações Unidas desde 2010, a população, que consome apenas 10% do total, terá sempre prioridade nos casos de grave escassez hídrica.


Muitos passos já foram dados pelo setor industrial para reduzir o consumo de água tratada. Trazendo a questão para o Brasil, a solução da água de reúso industrial, produzida a partir do esgoto tratado com tecnologia avançada que inclui membranas de ultrafiltração e osmose reversa, está disponível e sua adoção é crescente entre grandes empresas. Uma delas é a Braskem, que por meio de uma parceria com a Odebrecht Ambiental e a Sabesp viabilizou a criação do Projeto Aquapolo, no ABC Paulista, do qual a petroquímica consome 65%. Essa iniciativa permitiu ampliar o índice da água de reúso da Braskem na região para 97% do total.


Não basta ao setor privado cuidar do uso eficiente da água internamente nas indústrias, mas engajar toda a sua cadeia de valor (fornecedores e/ou clientes) neste esforço, além de buscar cooperação intersetorial para debater políticas públicas que incentivem o reuso de água de chuva, de esgoto doméstico e efluente tratado, de água dessalinizada. Nesse sentido, um modelo a ser seguido é o Movimento Menos Perda Mais Água, lançado pela Rede Brasil do Pacto Global, que é ligado à ONU.


Um dos principais objetivos desse movimento é promover o engajamento do poder público, da sociedade organizada e da iniciativa privada no controle e redução das perdas de água tratada na distribuição, que atinge um índice médio de 37% em nosso País, enquanto nações como o Japão conseguem conter o desperdício a menos de 10%. O caminho é conhecido. Começa por reduzir a pressão nas redes de distribuição, passa por estabelecer sistemas de micro e macromedição capazes de alertar sobre possíveis vazamentos e, a partir das informações coletadas, planejar e executar a troca progressiva da rede física de distribuição. Tubos de polietileno de alta densidade e de policloreto de vinila – PVC têm se provado alternativas mais eficientes, duráveis e competitivas para substituir materiais tradicionais como fibrocimento e metais diversos.


Em suma, investir no aumento da eficiência do uso da água pode gerar retornos elevados diretos para toda a sociedade. Veja o exemplo da Sanasa, operadora dos serviços de água e esgoto na região paulista de Campinas, que reduziu o Índice de Perdas na Distribuição de 37,7% em 1994 para 21,6% em 2016, um dos menores do País! Essa redução economizou 454 milhões de metros cúbicos de água, garantindo a manutenção do volume da outorga mesmo com o crescimento populacional de 31%.


A melhoria da eficiência no uso da água, seja para fins domésticos, industriais ou agrícola é possível, mas passa necessariamente pelo engajamento e cooperação de todos, governo, sociedade e setor privado para produzir uma solução na velocidade e na escala necessárias.



Fonte: Gazeta de Alagoas
Por: Mario Pino, Gerente de Desenvolvimento Sustentável da Braskem


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